BlueRoots e Color for Carbon estão entre os nove projetos selecionados pela iniciativa da PETRONAS voltada ao desenvolvimento de Soluções Baseadas na Natureza no Brasil
O CCARBON/USP alcançou um novo marco em sua atuação em pesquisa e inovação com a seleção de dois projetos no PETRONAS Brazil Innovation Challenge: BlueRoots e Color for Carbon (C4C). O anúncio dos projetos selecionados ocorreu durante a ROG.e 2026, realizada entre 21 e 24 de setembro, no Rio de Janeiro. ROG.e
Lançado pela PETRONAS em novembro de 2025, o Brazil Innovation Challenge foi criado para fomentar o desenvolvimento de Soluções Baseadas na Natureza (Nature-based Solutions – NbS) capazes de contribuir para a redução e remoção de gases de efeito estufa, associando conservação e restauração de ecossistemas a benefícios ambientais e sociais. A iniciativa, viabilizada no âmbito dos investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação regulados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), recebeu mais de 100 propostas de universidades, empresas e outras instituições brasileiras.
Ao final do processo, nove projetos foram selecionados, distribuídos em três grandes temas: restauração de florestas terrestres e sequestro de carbono; ecossistemas de carbono azul, com foco em manguezais; e agrofloresta e agricultura regenerativa. Os dois projetos vinculados ao CCARBON/USP representam duas dessas frentes estratégicas.

Representantes dos nove projetos selecionados no PETRONAS Brazil Innovation Challenge, ao lado da equipe da PETRONAS Brasil e parceiros, durante a cerimônia de premiação realizada na ROG.e 2026, no Rio de Janeiro.
BlueRoots: novas estratégias para a restauração de manguezais
Coordenado pelo Prof. Tiago Osório Ferreira, Diretor de Disseminação do CCARBON/USP e Professor associado do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP, o BlueRoots – Estratégias inovadoras de restauração de manguezais para maximizar créditos de carbono e impactos nas comunidades integra a frente de Blue Carbon do Challenge.
Com duração prevista de 36 meses, o projeto busca desenvolver e testar estratégias capazes de aumentar a eficiência da restauração de manguezais e potencializar os ganhos de carbono associados à recuperação desses ecossistemas, sem perder de vista os benefícios gerados para as comunidades locais.

Da esquerda para a direita: Suhana Sidik, Country Chair da PETRONAS no Brasil; Prof. Tiago Osório Ferreira, coordenador do BlueRoots e Diretor de Disseminação do CCARBON/USP; Rodolfo Fagundes Costa, Gestor de Disseminação do CCARBON/USP e gestor de projetos; e Jonas Castro, Head de P&D da PETRONAS Brasil, durante a cerimônia de reconhecimento dos projetos selecionados no PETRONAS Brazil Innovation Challenge, realizada na ROG.e 2026.
O BlueRoots contará também com a participação do Prof. Dr. Gabriel N. Nóbrega, do Departamento de Ciências do Solo da Universidade Federal do Ceará (UFC), e do Prof. Dr. Angelo Fraga Bernardino, do Departamento de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Ambos são pesquisadores associados do CCARBON/USP e contribuirão para o projeto com competências complementares em ciência do solo, biogeoquímica, ecologia e processos costeiros e estuarinos. Essa colaboração reforça o caráter interdisciplinar e interinstitucional do BlueRoots, apoiando a avaliação das estratégias de restauração de manguezais, seus efeitos sobre o funcionamento desses ecossistemas e o potencial de incremento e estabilização dos estoques de carbono.
A pesquisa parte do princípio de que restaurar a cobertura vegetal é apenas uma etapa da recuperação de um manguezal. Para que projetos de restauração possam contribuir de forma mais efetiva para a mitigação das mudanças climáticas, é necessário compreender como diferentes práticas influenciam o estabelecimento das plantas, o desenvolvimento das raízes, o acúmulo e a estabilização do carbono no solo e a trajetória de recuperação do ecossistema.
O BlueRoots irá integrar experimentos em condições controladas e validações em campo, incluindo estratégias de produção e estabelecimento de mudas, manejo durante a restauração e avaliação dos mecanismos responsáveis pelo acúmulo e pela estabilização de carbono.
Além da dimensão científica e tecnológica, o projeto incorpora a transferência de conhecimento e a participação das comunidades, buscando transformar os resultados da pesquisa em ferramentas que possam apoiar iniciativas de restauração em diferentes regiões de manguezal.
A proposta selecionada pela PETRONAS destaca justamente essa combinação entre restauração, carbono e impacto comunitário.
Color for Carbon: quando regenerar a paisagem também produz cor
O Color for Carbon (C4C) – Regenerative Tinctorial Agroforestry as a Nature-Based Solution é coordenado pelo Prof. Pedro Brancalion, Diretor de Inovação do CCARBON/USP e Professor Associado do Departamento de Ciências Florestais da ESALQ/USP, e tem Thaís Silvestre Sanches Antichera, pesquisadora associada do CCARBON/USP, como gestora do projeto. A iniciativa reúne competências em restauração ecológica, sistemas agroflorestais, carbono, biodiversidade e desenvolvimento de cadeias de valor sustentáveis, contando também com a colaboração do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT).
O C4C propõe desenvolver e avaliar um modelo inovador de agrofloresta tintorial regenerativa, combinando espécies florestais, alimentícias e plantas capazes de fornecer pigmentos naturais em um sistema produtivo desenhado para simultaneamente recuperar áreas degradadas, aumentar estoques de carbono, favorecer a biodiversidade e criar novas possibilidades de geração de renda.

Da esquerda para a direita: Suhana Sidik, Country Chair da PETRONAS no Brasil; Thaís Silvestre Sanches Antichera, pesquisadora associada do CCARBON/USP e gestora do Color for Carbon (C4C); Gabriela Brottos, da Agrofloresta Brottos; e Jonas Castro, Head de P&D da PETRONAS Brasil, durante a cerimônia de entrega do prêmio ao Color for Carbon, projeto selecionado no PETRONAS Brazil Innovation Challenge, realizada na ROG.e 2026.
A área piloto será implantada na Agrofloresta Brottos, em Itatiba, São Paulo, que funcionará como uma plataforma experimental para acompanhar a transformação de áreas originalmente dominadas por pastagem em um sistema agroflorestal diversificado.
O projeto está organizado em quatro frentes complementares: Agroforestry; Carbon & MRV; Natural Dyes; e Impact & Scale.
Na dimensão ambiental, serão avaliadas mudanças nos estoques de carbono da biomassa e do solo, na qualidade e funcionamento do solo e na biodiversidade, compondo um sistema integrado de MRV. Paralelamente, o projeto acompanhará toda a cadeia da planta ao pigmento, incluindo obtenção e caracterização de corantes naturais e avaliação de seu potencial de aplicação.
A proposta também investiga a viabilidade econômica e social do modelo, buscando compreender como uma agrofloresta voltada à produção de pigmentos pode gerar novas cadeias de valor e oportunidades de renda, ao mesmo tempo em que recupera funções ecológicas da paisagem.
Dessa forma, o Color for Carbon pretende desenvolver não apenas uma área experimental, mas um modelo replicável de Solução Baseada na Natureza, capaz de conectar restauração produtiva, carbono, biodiversidade, inovação e inclusão socioeconômica.
CCARBON/USP na ROG.e 2026
O anúncio dos projetos vencedores ocorreu durante a ROG.e 2026, um dos principais encontros do setor de energia, realizada no Riocentro, no Rio de Janeiro.
O CCARBON/USP foi representado no evento por Tiago Osório Ferreira, Diretor de Disseminação do Centro e coordenador do BlueRoots; Rodolfo Fagundes Costa, Gestor de Disseminação do CCARBON/USP e gestor de projetos; e Thaís Silvestre Sanches Antichera, gestora e pesquisadora principal do Color for Carbon.
A participação também marcou o início de uma nova etapa da colaboração entre o Centro e a PETRONAS. Pesquisadores associados ao centro já desenvolvem pesquisas em parceria com a companhia na área de carbono azul, e os novos projetos ampliam essa cooperação para novas estratégias de restauração de manguezais e para sistemas agroflorestais regenerativos.

Da esquerda para a direita: Rodolfo Fagundes Costa, Gestor de Disseminação do CCARBON/USP e gestor de projetos; Jonas Castro, Head de P&D da PETRONAS Brasil; Flavia Freire, da equipe de P&D da PETRONAS Brasil; Prof. Tiago Osório Ferreira, coordenador do BlueRoots e Diretor de Disseminação do CCARBON/USP; Thaís Silvestre Sanches Antichera, pesquisadora associada do CCARBON/USP, pesquisadora principal e gestora do Color for Carbon (C4C); Gabriela Brottos, da Agrofloresta Brottos; e Murilo Medeiros, da equipe de P&D da PETRONAS Brasil, durante a celebração da premiação dos projetos BlueRoots e Color for Carbon, selecionados no PETRONAS Brazil Innovation Challenge, durante a ROG.e 2026.
Diferentes ecossistemas, um objetivo comum
Embora BlueRoots e Color for Carbon trabalhem com ecossistemas e sistemas produtivos bastante diferentes, os dois projetos compartilham uma mesma missão do CCARBON: usar ciência para compreender melhor os processos de captura e estabilização de carbono e, a partir desse conhecimento, desenvolver soluções aplicáveis e capazes de gerar benefícios que vão além do carbono.
Nos manguezais, isso significa aprimorar a maneira como ecossistemas degradados são restaurados e compreender quanto carbono adicional pode ser obtido com novas práticas. Nos sistemas agroflorestais, significa demonstrar que a recuperação da paisagem pode caminhar junto com biodiversidade, produção de matérias-primas renováveis e novas oportunidades econômicas.
Com os dois projetos, o CCARBON/USP amplia sua atuação no desenvolvimento de Soluções Baseadas na Natureza apoiadas por evidências científicas, conectando pesquisa, inovação, conservação e impacto social.